terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nessa ânsia de te perder,
te capturo e
prendo numa foto.

E aquilo,
aquela foto,
passa a ser meu altar.
Como já dizia a música
"te trato como jogo, na certeza de que estou te perdendo"...

domingo, 14 de novembro de 2010

Cinza Cor De Chuva

Baía de Guanabara
Cinza Chumbo
Manto prateado
Dia Cinza
Céu Nublado

domingo, 26 de setembro de 2010

Formas, jeitos

Porque o corpo sem mente não tem graça na mesma proporção que a mente sem o corpo não tem, também.

sábado, 20 de março de 2010

Diálogo de botas

- Amo-te.
- Quanto?
- Mais do que a palavra "muito" possa significar...
- Você é perfeita, sabia?
- Sou perfeita porque sou completa. Sou completa porque tenho você.
- Amo-te...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Deliberadamente Caio Fernando Abreu



Preciso de Alguém

Meu nome é Flávia.

Moro numa casa com quintal grande e flores e árvores, mas nunca encontrei você na minha rua.

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Caio F. e farrapos de versos de Maynard J. Keenan, Rachael Yamagata rock, blues, jazz e soul -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. (...)

Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

10 minutos

Antes que eu parta, deixe-me dizer algo.

Quando não houverem mais paredes que sustentem esse teto, ou mesmo quando não houver teto a ser sustentado por essas paredes, sente e reflita nas coisas que fizeram a ambos ruir. Nos motivos que fizeram os alicerces se enfraquecerem, no telhado que não suportou os ventos.

Quando pensar e concluir, não venha atrás de mim. Não me peça nada além do que posso te dar. O tudo que dei um dia, não foi suficiente à época, será muito menos agora.

Quando você chegar a essa conclusão, só espero que Deus tenha piedade de sua alma. Porque tenho plena consciência de que ele teve da minha ao me permitir partir com a cabeça em pé e o orgulho pouco ferido.


 ...


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pânico de semi-conhecidos, a missão

Daí que uma pessoa passa por você na rua e te cumprimenta. Mas ela nunca falou com você, então você imagina que ela estivesse falando com a pessoa que vinha atrás (porque você bem que ouviu passos) e simplesmente não se sente à vontade para responder ou sorrir. Mico? Tô fora! Mas você percebe que o cara fica meio sem graça, atravessa a rua meio nervoso, olha pra você mais umas duas ou três vezes e você pensa que poderia ter sido pra você aquele "Oi, tudo bem?". Mas agora já é tarde. O cara tá longe e você não é nem um pouco afeita a escândalos na rua. Ainda mais no seu bairro onde você gosta rigorosamente de ninguém.
E nesse caminho pra casa você fica com a consciência pesada, porque quem falou com você nem era tão fofoqueiro parasita como os outros... e você pensa: Por que cargas d'água esse cara tinha que falar logo comigo?
E daí você está cansada porque pegou um engarrafamento que te fez fazer o caminho do trabalho até em casa demorar mais de um hora. Está suada porque aonde você mora parece uma filial do inferno. E você comeu muito na saída depois do trabalho com os amigos e sua calça está apertada, você até sente falta de ar. E você quer chegar em casa, tomar um banho e descansar. Mas a idéia desse post lhe vem a cabeça, e você acha um motivo pra ligar o computador depois de 3 dias, sem nem sentir falta dele, só pra postar isso. E você vem pensando em todos os elementos de coesão e coerência, o contexto, vai repassando a estória toda na sua cabeça para não esquecer uma palavra sequer. E na rua da sua casa, o filho pequeno da sua vizinha, debruçado no muro alto da casa diz com voz infantil: "Oi" E você ignora e pensa porque mães acham que você tem que achar a mesma graça dos filhos dela, que ela acha no alto da seu orgulho débil maternal? E você lembra que não gosta de crianças, não gosta de vozinha fina, não chora com bebês, e que criança legal é criança dormindo no quarto do lado enquanto os pais tomam um uísque e conversam sobre política na sala. E, aí sim, você ignora a criança no que ela insiste em repetir o "oi" e segue seu caminho... e você cai em si, e percebe: na verdade você é uma antipática, metidona, cusona e adora ignorar as pessoas. E que aquele cara, é aquele cara, é mó chatinho e você ignorou ele pra ele não achar que é seu amigão e da próxima vez não perguntar como vai a família. E se acaso ele te encontrasse no ponto de ônibus, e por ventura pegasse o mesmo que você, não se sentisse à vontade pra sentar do seu lado e ir conversando a viagem toda. Te impossibilitando de ouvir uma boa música no MP4. Porque as pessoas te cansam. E essas convenções sociais que te obrigam a dar bom dia, boa tarde, como vai pra todo mundo, já deu no teu saco. Tem gente que deseja bom dia pra você, desejando seu mal com todas as fibras da alma. Por isso, não se engane se eu te ignorar.

sábado, 17 de outubro de 2009

Soar

Se eu tivesse que ser outra pessoa, seria eu. Se eu tivesse que ser você, eu seria mais eu. Se eu tivesse que ser eu, faria tudo diferentemente igual.